Hoje eu li um e-mail, daqueles que não é spam nem “corrente”, mas que um de seus contatos envia pra todos da lista dele… Não sei porque estou publicando isso, não acho importante (o e-mail), mas vou tentar fazer algumas considerações…
Reproduzindo o e-mail tal qual recebi (o que eu estou fazendo??). Se preferir leia só as frases destacadas.
Com o tempo, você vai percebendo, que para ser feliz com um outra pessoa você precisa, em primeiro lugar não precisar dela.
A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando…
A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar.
Mas uma coisa parece estar sempre presente…
A busca pela felicidade com o amor da sua vida.
Desde pequenas ficamos nos perguntando
“Quando será que vai chegar?”
E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida “Será que é ele?”
Como diz o meu pai: “Nessa idade tudo é definitivo”, pelo menos a gente achava que era.
Cada namorado era o novo homem da sua vida.
Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente…
PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito “do próximo”.
Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.
Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva.
Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.
Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue “imagem e ação” … e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo.
A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes.
A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal, que nos complete e vice-versa.
Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta…E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira.
Sem falar na diversidade que vai do Forró ao Beatles
Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer a barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som…
Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
Com o tempo, voce vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também, que aquele cara que você ama (ou acha que ama), e não quer nada com você, definitivamente, não é o homem da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você!
O segredo não é correr atrás das borboletas…
É cuidar do jardim, para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando,
Mas quem estava procurando por Você!
Não sei quem é a autora do e-mail, mas certamente baseou-se (leia-se também copiou trechos) em Borboletas do Mário Quintana, o que me faz pensar que o pensamento filosófico embutido no início do texto valorize a beleza poética acima da idéia razoável que ele traz. Mas Mário certamente conheceu um pouco de filosofia e sua capacidade intelectual contribuía para que também se sentisse solitário por ser mal entendido (leia Coisas Incríveis no Céu e na Terra), o que faz lembrar-me de Nietzsche e Schopenhauer. Aliás, é capaz do Mário ter até adaptado alguns de seus pensamentos ou de suas frases. Lógico que não seria sobre a felicidade ou a felicidade conjunta…
Ao meu olhar, leigo em poesia, a beleza poética de “… para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela” encontra-se no fato de que essa é uma afirmação falsa, mas que ainda assim consegue exprimir seu pensamento. Pensamento esse, que na minha opinião, concentra-se na essência de que a felicidade é um estado de espírito pessoal e portanto independente (alguém arrisca um ensaio sobre Felicidade?). Acho que essa mensagem tem o seguinte sentido: “… para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, ser feliz sem precisar dela para isso”. Outro aspecto interessante que percebi quando a autora cita “… você aprende… a gostar de quem também gosta de você” foi a troca da valorização de interesses secundários por interesses de valor. Em outras palavras, aprenda a gostar do que é bom. Einstein já dizia: “Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso”.
Minha pergunta é: Quantos anos levam pra uma pessoa tirar essas conclusões (se é que todas tiram)? Eu acho que comecei a pensar sobre isso com meus 20 anos…